Mas o que é o tempo
se não a sucessão dos segundos
e as crianças que morrem de fome?
E o ponteiro do relógio a andar sozinho
e os cabelos que ficam mais brancos?
E a distância que se estica, estica, estica
até não alcançar mais
seu braço
no meu abraço?
emily dickinson
Uma palavra morre Pois eu digoQuando é dita Que ela nasce— Dir-se-ia Nesse dia.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
falta um tanto ainda, eu sei
domingo, 7 de outubro de 2012
felicidade - marcelo jeneci
Haverá um dia em que você não haverá de ser feliz. Sem tirar o ar, sem se mexer, sem desejar como antes sempre quis. Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser. Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar. Lembrará os dias que você deixou passar sem ver a luz. Se chorar, chorar é vão porque os dias vão pra nunca mais. Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você. Chorar, sorrir também e depois dançar, na chuva quando a chuva vem. Melhor viver, meu bem, pois há um lugar em que o sol brilha pra você. Chorar, sorrir também e dançar. Dançar na chuva quando a chuva vem.
(só pra constar para meus leitores imaginários que esse texto é de abril, quando eu continuava insistindo mais ou menos em escrever)
terça-feira, 6 de março de 2012
parte II, capítulo 28, página 281
De trás do barraco de Bill o rádio de alguém que voltara do trabalho tocava uma música que falava de loucura e destino, e lá estava ela com sua beleza destroçada, as veias saltadas nas mãos estreitas de adulta, a pele arrepiada nos braços brancos, as orelhas sem viço, as axilas descuidadas, lá estava ela (minha Lolita!) irremediavelmente gasta aos dezessete anos, com aquela criança que dentro de seu ventre já sonhava em ser um sujeito importante e se aposentar no ano 2020 – e fiquei olhando para ela, sabendo, tão lucidamente como sei que vou morrer um dia, que eu a amava mais do que tudo o que jamais vi ou imaginei neste mundo, ou que possa esperar em qualquer outro. Ela era apenas um traço fugaz de perfume, o eco de uma folha morta, quando comparada à ninfeta sobre a qual eu rolara outrora gemendo de prazer; um eco à beira de uma ravina acobreada, com uma floresta longínqua sob o céu lívido, folhas marrons sufocando o riacho, um derradeiro grilo nas ervas ressequidas… mas, graças a Deus, não era apenas esse eco que eu venerava. Aquilo que eu costumava acariciar entre as vinhas emaranhadas de meu coração, mon grand pêché radieux, estava reduzido à sua essência: todo o resto, o vício estéril e egoísta, fora abolido, amaldiçoado. Podem zombar de mim, ameaçar evacuar o tribunal, mas até que eu seja amordaçado e semi-asfixiado continuarei a proclamar aos brados minha pobre verdade. Insisto em que o mundo saiba o quanto amei minha Lolita, esta Lolita, pálida e poluída, carregando o filho de outro homem, mas ainda com os olhos cinzentos, os cílios cor de fuligem, os tons de castanho e amêndoa, ainda Carmencita, ainda minha! Changeons de vie, ma Carmen, allons vivre quelque part où nous ne serons jamais séparés. Ohio? Os ermos de Massachusetts? Não importa, mesmo que teus olhos desvaneçam como os de um peixe míope, mesmo que teus mamilos inchem e se rachem, mesmo que se macule e se rasgue teu jovem e adorável delta, tão delicadamente aveludado – mesmo então eu enlouqueceria de ternura à simples vista de teu rosto amado e lúrido, ao simples som da tua jovem voz rouquenha, minha Lolita.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
take me or leave me - the magic numbers
it's a funny time for me and you, and you and me. see, i've been out
walking and i can't get over you, no i can't get over you. just take me
or leave me alone. and it's not right, no it's not right, you say, and it's
all wrong, this story's wrong. and i've been out watching. i can't get over
you, no i won't get over you, just take me or leave me alone. i've been
such a fool, but it will over soon, they say, and it will over soon, one
day. just take me or leave me alone. see, i've been out crying, can't seem
to let you go, won't get the chance to know. just take me, don't leave me
alone. and when we laugh, and when we laugh we cry.
to sem paciência pra escrever aqui. to triste triste triste, tudo de novo! mas eu to cansada, não quero reescrever os arquivos desse blog mudando apenas o protagonista. eu já tive o suficiente dessas histórias de amor e dessas lágrimas de amar sozinha e dessa vida de ficar trancada no quarto ouvindo músicas sofridas no escuro me entupindo de chocolate.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
pois é - los hermanos
pois é, não deu. deixa assim como está sereno. pois é de Deus tudo aquilo que não se pode ver e ao amanhã a gente não diz, e ao coração que teima em bater, avisa que é de se entregar o viver. pois é, até onde o destino não previu, sei mas atrás vou até onde eu consegui. deixa o amanhã e a gente sorri que o coração já quer descansar. clareia minha vida, amor, no olhar.
é por não me sentir bem
por não me sentir boa
o suficiente pra você
pra ninguém
é por não ter nada
e não ser nada
por essa minha natureza
amarga
preguiça de terminar. ou começar, não sei, me parece que eu já iniciei no meio... detesto quando os sentimentos se misturam e eu não consigo colocar tudo no papel, às vezes nada colabora comigo.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
dois barcos - los hermanos
quem bater primeira dobra do mar dá de lá bandeira qualquer, aponta pra fé e rema. é, pode ser que a maré não vire, pode ser do vento vir contra o cais, e se já não sinto teus sinais, pode ser da vida acostumar. será, morena? sobre estar só eu sei, nos mares por onde andei devagar dedicou-se mais a acaso a se esconder, e agora o amanhã, cadê? doce o mar, perdeu no meu cantar.
autodestrutiva. tudo junto agora, pra me adequar às regras do meu bom português do qual eu não abro mão mesmo no fundo do poço, apesar de abrir mão das letras maiúsculas, porque maiúscula na minha vida é só minha vontade inexplicável de afastar tudo de bom que eu consigo obter. dá um medo, sabe? um medo irracional da decepção iminente, porque não há como não se decepcionar comigo, um medo do abandono já tão conhecido, caso patológico mesmo, medo de me machucar. então eu acabo machucando os outros. autodestrutiva, medrosa e neurótica. é, eu sou sinônimo de problemas, mas não me deixa. não desiste de mim sem nem dar tempo da gente começar. eu tenho mania de adiantar as coisas e visualizar o futuro sem me empenhar em construir o presente, mas eu to tentando, eu acredito no nosso potencial. eu precisava de alguém assim já tem um tempo. não, risca isso, eu precisava de você já tem um tempo. ah, e eu gosto de deixar os finais em aberto, meio sem final, passível de interpretações pessoais do leitor, influência do Haneke, sabe? não, na verdade eu só não gosto de finais, de encerrar, de conclusão, de falar pronto, está acabado. então por favor, não me deixar acabar com a gente antes mesmo de nos tornarmos a gente, ta?
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